Sobre este blog
Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português
Saturday, August 18, 2007
Maluco tem em toda a parte
Mesmo no Japão. Essa semana estava voltando para casa quando vi uma cena meio bizarra que me deteve uns dois segundos. Um sujeito estava na plataforma da estação com as calças arriadas até o joelho e com a camisa levantada mostrando a barriga. Aparentemente estava 'só' arrumando a roupa, já que não estava dando sinais de mostrar 'material privado' para o público em volta. Não fiquei mais tempo para ver o que o sujeito ia fazer ou, mais importante, se iam fazer alguma coisa com ele.
Se bem que a segunda possibilidade é a menos provável. A diplomacia interpessoal japonesa é baseada em regras bastante simples: 1) não incomode os outros e os outros não vão incomodar você. Bom, aparentemente ele não estava incomodando, já que ninguém estava dando sinais de perceber. É que há outra regra, baseada na primeira: 2) não demonstre incômodo a não ser que você corra risco pessoal, já que pode acabar sobrando para você também. Na verdade esse tipo de comportamento não é exclusivamente japonês, então não cabe aqui ficar colocando certos ou errados. Já vi quem falasse mal disso e já vi quem aprovasse.
Não obstante, ainda assim fiquei surpreso com a falta de tato do sujeito em fazer aquilo em público. Ele não parecia ter nenhuma disfunção de percepção ou sociopatia evidente (é claro, estou longe de ser especialista na área) então o cara provavelmente estava adotando uma postura que nós, brasileiros descrevemos como não se lixar com o resto do mundo.
Cidades grandes, muita gente, tem sempre um maluco. 'Colecione' você também! (É claro, estou falando de causos)
Hoje de madrugada teve um terremoto que chegou a acordar a gente. Foi um pequeno susto, mas não foi forte. Nem chegou a sacudir as coisas...
Como de costume estamos bem.
Em cinco anos de Japão, consegui muitos amigos e tenho muitos conhecidos. Há um grupo seleto de pessoas que parece ter um afeto especial por mim: os policiais. Sexta-feira passada eu fui parado pela 54ª vez. O detalhe é que foi a terceira vez que eu fui parado no posto da esquina, que fica a um pouco mais de um quilômetro de onde eu moro. Perguntei por que é que eles não conseguem lembrar de mim. É estranho, se eu chamo a atenção por ser diferente, eles podiam pelo menos se dar ao trabalho de tentar se lembrar...
Mas deixa pra lá. Pelo menos nunca me faltaram com o respeito e nem encostaram um dedo em mim. Disso eu não posso reclamar. Só acho que devia ter um sistema de compensação. Afinal, mesmo não sofrendo nada, eu desperdiço um tempo precioso com essa encheção... Se tivesse um cartão de pontos, talvez fosse interessante. A cada vinte chegadas, podia ganhar 500 ienes. Aí seria melhor... hehehe
Ou melhor, já chegou. Agora está fazendo um calor de mais de 35 graus. Apesar da temperatura em si não ser tão alta, a umidade é, o que piora bastante a sensação térmica. Felizmente por aqui tem ar-condicionado em toda a parte, o que ajuda bastante.
Em Brasília, um umidificador era essencial nesta época do ano. Acho que se eu aparecesse com um desses agora, o pessoal ia bater em mim com um bastão...
Uma coisa interessante: no inverno eles ligam os aquecedores dos trens em uma temperatura tão alta que parece até que vai queimar as pernas (os aquecedores ficam no chão). Já no verão, o ar condicionado não é tão frio assim. Imagino qual seja a lógica...