Sobre este blog
Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português
Sunday, July 23, 2006
In memoriam Celeronium
Pois é, justamente quando eu estou até a testa de tarefas na universidade, meu PC resolve morrer.
Gastei a noite retrasada fazendo backup das minhas fotos (um monte de fotos) e finalmente consegui uma conexão decente de internet com um browser que colabora. Meu notebook antigo serviu bem nessa hora. O Links (navegador em modo texto do linux) é divertido, mas só quando você tem a escolha de usar algo melhor. Vou ver se consigo fazer a impressora rodar para imprimir um material amanhã.
Eu agora estou imaginando o que pode ter sido, porque o bicho nem sequer liga, apesar de passar energia para o monitor através da CPU. Imagino se foi algo na placa-mãe. O negócio é que eu não estou nem um pouco afim de comprar um CPU novo agora...
Bom, pelo menos eu consegui me virar com PCs mais próximos até agora (o PC de uso comum do alojamento ajudou bastante, apesar de não ter internet.
O que importa é que agora eu estou voltando ao normal...
(Yokozuna é o título máximo que um lutador de sumô pode receber. Neste post, resolvi falar da morte de um deles )
Não é uma notícia nova, na verdade. Mas, como era de se esperar, causou grande comoção na época. Especificamente, eu estou falando do Yokozuna Akebono.
O havaiano foi o primeiro estrangeiro a conseguir esta posição, sendo também um dos mais altos (2.03m) e mais pesados lutadores (235kg). No ano 2000, ele abandonou a prática, mas manteve a ligação com o esporte até 2003, quando se desvinculou completamente do sumô. Foi esse o momento da morte do Yokozuna.
Mas fique aliviado em saber que o homem Chad George Rowan (o nome de nascença de Akebono) ainda está vivo e bem de saúde. Mas para o mundo do sumô, Akebono é uma página virada na história. Os feitos dele no sumô são inegáveis e continuam lembrados. Mas a mudança de carreira que ele optou não foi bem vista pelo pessoal do sumô.
O que aconteceu é que ele resolveu se arriscar em outras modalidades de luta, como K1 e kick-boxing. O pior é que o início nesta nova carreira foi marcado por derrotas seguidas. Ele continuou tentando várias possibilidades até achar uma opção em que ele aparentemente fez sucesso: luta-livre. Por sinal, ele ainda atua com o nome profissional de Akebono, mas não acho que ele ainda seria Yokozuna (não sei se o título é vitalício ou se permanece quando você se desvincula do sumô). Para mim, aparecer num programa de luta-livre no meio da madrugada e passar meia hora desferindo socos e pontapés de mentira é que é a verdadeira 'morte', se você considerar o histório do lutador.
Mas isso é problema dele. Se ele está feliz com isso ou não não me interessa muito.
De qualquer forma, para a mídia geral, ele continua sendo Akebono. Só que eu acho meio estranho vincular a imagem do rikishi (lutador de sumô), que eu vi atuando em 1999 com o mesmo sujeito em cima de um ringue de luta-livre, que eu vi hoje.
Bom, assim é a vida.
Para quem esteve aqui no Japão nos últimos dois meses, parece incrível a mudança do clima. Antes, estava um frio agradável, sendo eventualmente necessário um casaco leve. Agora, sinto calor mesmo usando camisetas e bermudas.
O pior do verão japonês não é nem a temperatura, mas sim a umidade. Parece que tem cola dispersa no ar. Agora, qualquer atividade física mais pesada (como andar, ficar parado ou até mesmo respirar) é suficiente para fazer suar. E ainda não chegaram as cigarras, que são especialmente sonoras. No Japão há mais variedades, então a 'orquestra' de insetos, é terrível.
Isso sem falar dos tufões, que devem começar no final de agosto. Na verdade, já passou o terceiro este ano, mas ainda não chegou nenhum que afetasse essa parte do Japão. Isso demora ainda um tempo.
Essa é a verdade, você pode morar décadas aqui que o tempo sempre surpreende por sua instabilidade. Tem até uma expressão, que seria traduzida como 'aquela pessoa é como o tempo' (Tenkiya), para expressar temperamento instável.
Não é à toa que este é o período de férias escolares. Aulas num período desses, seria impensável.
Mas quem disse que eu estou de férias? Agora que semestre está acabando é que vem a pior parte, com o fim do estágio!
Se alguém tiver um pouco de tempo disponível, me empreste porque eu estou precisando... :)
Sábado passado fui com um amigio meu no bairro de Ueno para ajudá-lo a procurar um tênis novo. Ele estava tendo problemas para encontrar sapatos que servissem nos seus 'pezinhos delicados' de tamanho 45. Não que ele precisasse de ajuda para falar com os vendedores, mas como eu conhecia o lugar, ficaria mais fácil encontrar as lojas certas (inclusive, fui eu que recomendei o bairro). O lugar em si, chamado Ame Yokocho (algo como beco do doce, talvez?), apesar de ser tão único e diferente, é paradoxalmente um dos lugares de aparência mais asiática de Tóquio. Basicamente, é um 'feirão' que fica nas ruas paralelas à linha de trem JR Yamanote (que é elevada nessa parte da cidade), entre as estações Ueno e Okachimachi. Resolvemos almoçar antes de procurar os sapatos. Para mudar um pouco a rotina, decidimos por um cardápio mais alternativo: bobagem (junk food japonesa). O primeiro lugar em que passamos foi um restaurantezinho (estilo sujão) que servia guiozas ('pastéis' chineses refogados) gigantescos. Os bichos eram grandes mesmo, cada um mais que suficiente para uma refeição, apesar de servidos em porções de 4 unidades. Assim, resolvemos pedir uma porção e rachar. O garçom disse que não. Hm? Isso foi bastante incomum. Como assim não? Não. Foi essa a resposta do garçom. Nada que acompanhasse um 'porque' ou qualquer explicação que fosse. Nem mesmo a polidez característica dos restaurantes normais (ou melhor, dos japoneses normais). Nem pensamos duas vezes e saímos do estabelecimento sem falar uma palavra. Pensando bem, podia ter dito uma ou duas bem caprichadas, mas é melhor não gastar energia com pessoas desse nível. É desperdício de saliva.
(Então, antes de continuar o post, uma dica: Se você for a Ueno, não coma guioza gigante. Os donos do estabelecimento são grossos e preconceituosos).
Decidimos procurar algo mais ocidental: Doner Kebab, que geralmente é traduzido em português como 'Churrasco grego'. Para quem não sabe, uma dica de como é o negócio no Brasil: Eu vi isso em umas esquinas do centro de São Paulo, sendo vendido a 70 centavos. O prato incluía um pão francês (onde era colocada a comida) e um copo de limonada. Ou seja: encarar o prato no Brasil é provavelmente quase tão seguro e agradável quanto encarar uma buchada de bode num restaurante de terceira categoria. Felizmente, a versão japonesa é mais saudável (a carne quase não miava). Eu pedi a versão mista, que vinha com bloco de biomassa 1 (chamado de carne bovina) e bloco de biomassa 2 (chamado de carne de frango). Junto com o tempero meio do leste asiático (isso é bastante vago, mas parecia um pouco com tempero indiano na hora), ficava muito bom. Valeu a fortuna que a gente pagou (5 dólares!). Felizmente não foi acompanhado de efeitos colaterais posteriores. Na verdade, fora as piadas, parece realmente seguro. Vale a pena experimentar (por aqui, no Brasil eu não recomendaria). Depois disso, fomos numa barraca de Takoyaki (bolinho de polvo assado) um pouco incomum. Normalmente, são vendidas 6 unidades pequenas em uma vasilha de plástico. Nesta loja, era apenas um, mas era grande como se a massa de 6 bolinhos fosse usada para fazer um. O legal é que vinha com bebida grátis. O que eu gostei mesmo foi da idéia de embalagem. Em cima do copo do refri, encaixavam o pote do takoyaki, o que permitia realizar a proeza de sergurar o prato (que precisa ser comido com pauzinhos) e beber (com canudo), sem precisar fazer qualquer malabarismo. Depois fomos finalmente procurar os tênis. Para a sorte do meu amigo, ele conseguiu encontrar os tênis por um preço 10 vezes menor que o previsto. Acabou levando dois pares, e isso só porque não tinha mais em estoque. No final das contas, fora os caso dos infelizes vendedores de guioza (que perderam definitivamente dois clientes além de qualquer pessoa para quem eu possa contar), foi um período bem aproveitado. Consegui encontrar o meu amigo depois de um tempo, comi pratos novos e ainda de quebra tirei umas fotos do lugar.