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Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português



Sunday, May 28, 2006
 

Máquina de controle climático

As previsões do tempo no Japão são bastante precisas. Normalmente, eles dizem o comportamento das nuvens, a quantidade de chuva e até as temperaturas máxima e mínima. Tá, admito que só isso não tem nada de excepcional. A diferença é que eles acertam mais de oitenta por cento das vezes. Num dia dessa semana, eles falaram que teria sol de manhã e pancadas de chuva ao fim da tarde, seguido de tempo nublado com chuvas ocasionais. Foi batata: Às três da tarde, depois de muito sol, começou a chover. A chuva estava tão forte que teve momentos em que choveu granizo! Depois, também como previsto, teve a calmaria e, mais para a noite, choveu e teve ventos fortes, que fizeram o meu guarda-chuva dançar tão freneticamente, que eu preferi voltar de ônibus ao invés de ficar correndo atrás de um guarda-chuva alucinado na chuva.

Na verdade, fora a parte final, eu fiquei até satisfeito por ter chovido. Confiando na metereologia, levei o guarda-chuva comigo e estava me sentindo meio desconfortável de andar com o trambolho na mão, já que o dia estava muito bonito pela manhã e eu pensei até que tinha sido enganado pela previsão do tempo...

Eles são precisos sim. Precisos, até demais. Acho que não tem como você acertar tanto assim a previsão do tempo. O lobby dos metereologistas japoneses (é claro que tem um!) deve ter inventado secretamente um dispositivo poderoso de controle do tempo. Assim, mesmo que o tempo 'não colabore' a ficar do jeito que eles previram, eles dão um 'jeito' de ficar. Só assim para conseguir dizer até a faixa de horas em que deve chover.

 

Grande Letra
Fausto
20:31

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Chuva e pimenta

No sábado passado, eu tinha planejado sair, para tirar umas fotos, aproveitando que o tempo estava bom, a despeito das previsões de chuva. Céu azul, nenhuma nuvem e até passarinhos cantando lá fora. Entretanto, eu tinha ainda algumas coisas para fazer (o que incluía organizar um pouco da bagunça que eu tinha deixado no dia anterior no escritório e organizar uns papéis). Fiz tudo tranquilamente. O tempo, afinal estava bom. Deu umas quatro horas da tarde e estava tudo terminado, e pronto para sair. No instante que coloquei a mochila nas costas, um bando de nuvens cinzentas se acumulou em volta do meu bairro. Pus o pé para fora de casa e atravessei a rua. Foi só o tempo de atravessar o sinal e começou uma chuva diluviana, que me forçou a voltar para casa. Felizmente, estava com meu guarda-chuva (afinal de contas, a previsão do tempo aqui não costuma errar) e voltei apenas com as pernas encharcadas. Fiquei em casa, 'de castigo' por mais duas ou três horas, até que o clima melhorou. Depois, fui com a Maressa, que tinha voltado do trabalho, para Ikebukuro, em busca de algo para fazer. Eu não queria passar o fim-de-semana dentro de casa. Acabamos desistindo de assistir um filme (que era o plano original) e fomos comer num restaurante tailandês, apesar da grande possibilidade de ser muito apimentado. Acabou que a comida foi só forte, mas comestível.

No final das contas, o dia foi bom, apesar de não ter sido como planejado. Acabei me divertindo também.

Grande Letra
Fausto
20:19

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Wednesday, May 24, 2006
 

Novo visual

Finalmente eu consegui mudar o visual do blog. Não ficou tão maravilhoso quanto eu queria, mas pelo menos agora ficou diferente...

Que tal? Aceito comentários. Também queria saber se ficou fácil de ver em outros computadores. Até onde eu vi, não teve problemas, mas como eu não sou lá essas coisas em HTML, é grande a probabilidade de alguma coisa ter dado errado...

 

Grande Letra
Fausto
13:23

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Tuesday, May 16, 2006
 

Socorro! Socooorro!

Um pouquinho de nostalgia... :)
Numa bela tarde de um dia nos meados dos anos 80, eu ouvi gritos de socorro, vindos de um prédio vizinho. No início, fiquei um pouco alarmado mas, após prestar um pouco de atenção, percebi que os gritos eram meio estranhos. Não dava para dizer se era uma mulher ou criança. Na verdade, mal parecia humano. De fato, não era. O papagaio de algum dos moradores decorou justamente a palavra 'socorro', e a repetia com gosto. Nunca pensei muito a fundo sobre o motivo de falar especificamente 'socorro'. E era regular, quase pontual. Perto das quatro horas da tarde, ele começava:
-Socorro! Socorro! Socorro!
Depois de um tempo, eu perdia o interesse e nunca cheguei a medir por quanto tempo ele continuava a gritar. Mas continou assim por anos e anos, até que os gritos pararam. Talvez tenham finalmente socorrido o bicho.
Apesar de seu repertório limitado, o papagaio fazia bom uso dele. Alguns dias, era rápido:
-Socorro, socorro, socorro!
Outras vezes era com vontade:
-Socooooorro! Socooooorro!
E tinha também os dias inspirados:
-So' Cooooorro! So' Coooorro! (com pequenas pausas)
E vez por outra tinha uma variação nova, sempre no meio da tarde, na hora em que eu via desenho e lanchava... O papagaio não está mais lá. Não sei se os donos deles se mudaram, não sei se o bicho passou desta para melhor.

Mas a lembrança fica. E sempre que eu falo dele para minha mãe (e agora para minha esposa), lembro de novo, com um pinguinho de saudade, dos meus tempos de moleque. Uma lembrança estranha, mas ainda assim, divertida.
-Socooooorro!
-Socooooorro!
-Socooooorro!


Grande Letra
Fausto
21:12

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Saturday, May 13, 2006
 

Propagandas

As propagandas japonesas são legais. Sempre aparece algo tão doido que nem dá para acreditar. Aqui vão algumas coisas que chamaram a atenção:

  • Um cantor/comediante fala que o produto (broto de feijão) é muito caro e, por isso, é melhor não comprar...
  • Duas mulheres numa pedra perto do mar, vestindo quimonos, tocando shamisen e cantando uma música no estilo de Okinawa. Detalhe: No lugar das cabeças, cada uma tinha uma metade de laranja (o sabor da bala da qual estavam fazendo propaganda).
  • Três homens (ocidentais) vestindo roupas colantes brancas que cobriam o corpo todo, com uma jujuba verde como chapéu, dançando como cossacos, ao som de uma música tradicional russa (Kalinka, para ser mais exato).
  • Dois homens discutem sobre a necessicade de estudar inglês. Um deles diz que não precisa, já que nunca vai ter de falar a língua. Na televisão mostra um parlamentar japonês, falando que eventualmente toda a população japonesa terá de evacuar o país (não sei do que o discurso trata). No final do anúncio (de um curso de inglês bastante popular), o narrador fala: (aprenda inglês)"antes que o Japão afunde!".
  • São propagandas que cumprem a sua missão, ou seja, permanecem na memória, mesmo bem depois de serem vistas. Mas algumas são estranhas a ponto de aparecerem nos sonhos que vêm depois que se come pizza de aliche com goiabada, acompanhada de Fanta uva quente...

    Grande Letra
    Fausto
    13:09

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    Friday, May 12, 2006
     

    MMORPG

    Hoje vi pela segunda vez o anúncio de um novo jogo, do tipo MMORPG (Massive Multiplayer Online Roleplaying Game), um jogo que você joga online com muitas pessoas conectadas ao mesmo tempo, chamado Granado Espada. O título foi criado por um japonês que aparentemente não sabia muito de espanhol (ou qualquer outra coisa), já que não faz o menor sentido.
    Na verdade, não foi muito difícil ver o anúncio do jogo, já que todos os cartazes que estavam colados, pregados, encaixados e fixados eram do jogo. Além disso, a televisão (na linha Yamanote da empresa JR há para cada porta do trem um par de monitores mostrando propagandas e a rota do trem) mostrava cenas do jogo e outras propagandas relacionadas.
    A empresa que fez o jogo resolveu investir a sério em publicidade. Não sei se é mais caro que a televisão, mas um tipo de publicidade onde você faz o consumidor assistir ou ler o anúncio por mais de cinco minutos (dado o tempo mínimo de permanência no trem) não pode ser barato.

     

    Grande Letra
    Fausto
    02:07

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    O início de uma nova estação

    Mais uma vez pude reforçar a impressão anterior que tinha sobre o clima japonês. Finalmente o frio está passando. Ainda chove com muita freqüência, mas as temperaturas estão mais amenas. Não está quente o bastante para ficar de camiseta, nem frio o bastante para usar o casaco que me eu vestia no mês passado. Isso leva a uma situação extremamente desagradável. São poucos os lugares onde eu não sinta calor, já que não está ainda quente o bastante para que o ar-condicionado se faça necessário, apesar de o 'calor humano' já marcar presença com força. Espero que o pessoal comece a cogitar ligar novamente o ar-condicionado...

     

    Grande Letra
    Fausto
    01:43

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    Wednesday, May 03, 2006
     

    Mais fotos no Fwashes fwom the gwave

    É isso aí. Confiram sempre. Estou pegando o rítmo e agora talvez eu passe a incluir uma ou duas fotos por vez.

     

    Grande Letra
    Fausto
    18:44

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    Semana de ouro!

    Uma coisa que chama a atenção quando você vive aqui no Japão é a quantidade de feriados. São muitos, alguns inclusive com nomes estranhos, como dia do mar e dia do verde. Mas convenhamos: independente do motivo, é bom ter uma folguinha de vez em quando. Ah, e tem uma coisa boa: se o feriado bate em dia de descanso, como sábado ou domingo, aí o próximo dia útil vira feriado. Deve ser uma maneira de compensar as curtíssimas férias que os trabalhadores japoneses têm.

    Agora, estamos em mais um dos feriados, o mais longo deles, chamado aqui de Gooruden wiiku (Golden week). É basicamente uma semana de feriado. É uma das piores épocas para se viajar, justamente pelo fato de mais da metade da população do país estar se deslocando de um lugar para outro ou daqui para fora. Além disso, não há quase a menor chance de se comprar uma passagem de última hora, já que os passeios para essa época são planejados (e os bilhetes reservados) com uma antecedência de dois a três meses (se não de um ano).

    O bom senso diz que o melhor é ficar em casa, morgando. E é o que eu faço. Só tem um porém. Quando se está na pós-graduação, férias e descanso são um termo relativo. Basicamente, quer dizer que se precisa estudar o mesmo tanto (senão mais) e às vezes assistir aulas em horários diferentes. Vi pessoas que iam mais à universidade nas férias que no período letivo.

    Nesse aspecto, acho mais confortável no Brasil. Lá você não passa na universidade ou no trabalho durante as férias a não ser que tenha um motivo muito bom...

     

    Grande Letra
    Fausto
    18:39

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    As quatro estações do ano

    Diferente de Brasília, no Japão temos as quatro estações do ano bem definidas. Quando eu estava dando aula na UnB falava assim. Mas percebi recentemente que vou ter de rever um pouco meus conceitos. De fato, há quatro estações e sua diferença é clara. Não são primavera, verão, outono e inverno, como estamos acostumados, mas sim, Frio com folhas secas, frio com neve, frio com flores e quente para burro.

    Desde que voltei do Brasil em setembro com a minha esposa até agora, só temos tido dias muito frios. Eu já estava acostumado, e não liguei tanto. Mas a Maressa está tendo dificuldades de se adaptar ao clima.

    Felizmente, está mudando aos poucos. Já faz quase um mês que a primavera começou oficialmente e finalmente tivemos dias agradáveis. Anteontem pude, pela primeira vez, andar com apenas uma camiseta. Apesar do frio que fez ontem, o dia de hoje está agradável e novamente estou de camiseta. Espero que agora se siga a tendência que eu estou observando, ou seja, só faz frio quando chove (ou só chove quando faz frio?). Se for assim, torço para que tenhamos mais dias sem nuvens, porque aí serão dias quentes (mas não tão quentes quanto o tenebroso verão japonês).

     

    Grande Letra
    Fausto
    18:30

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