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Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português



Sunday, July 24, 2005
 
Shake it, baby!

Ontem à tarde eu levei um belo susto. Lá pelas quatro e meia (mais exatamente 16:35), eu senti uma pequena vibração nas pernas. Em menos de cinco segundos, minhas impressões foram confirmadas: era um terremoto. O troço foi mais forte que o comum, 4 na escala shindo e 7 na Richter no local de geração (90 Km de profundidade). Pelo que eu vi num jornal brasileiro, foi o mais forte nessa região desde 1992, mas isso eu não posso confirmar. O pessoal da JR, a maior empresa de transporte ferroviário do Japão (e antiga estatal), por medida de segurança (e por amargar um descarrilhamento de trem-bala há pouco tempo), resolveu interromper seus serviços temporariamente para checagem dos trilhos.

Eu, que estava em casa, não fui muito afetado, fora o susto. Na verdade, fiquei com um pouco de raiva, por causa do susto. Mas deixei para lá. Inclusive fui depois assistir ao foguetório de Chofu, que acabou sendo melhor que o do ano passado (fotos assim que eu terminar os trabalhos da universidade). Desta vez eu fui de bicicleta e consegui evitar a multidão em movimento (e aproveitei para fazer um pouco de exercício). Foi um tempo bem aproveitado. No fim da noite, me reuní com os amigos para beber uma rara cervejinha (a primeira em dois meses) e conversar até as quatro da manhã. De vez em quando é bom.

Grande Letra
Fausto
17:54

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Monday, July 18, 2005
 
Revendo conceitos

Só para não deixar escapar essa. Estou vendo um documentário sobre os mares da Austrália. Um dos enfoques foi o peixe-lobo, que parece uma enguia mais feiosa que o normal, só que armada de mandíbulas fortes o bastante para comer ouriços inteiros e destruir cascas de caranguejos com facilidade. Curiosamente, um animal com tamanho potencial ofensivo é bastante dócil quando se acostuma com seres humanos (o pessoal da filmagem), chegando a inclusive permitir que o peguem e façam carinho nele como se fosse um cachorro. Confesso, foi totalmente inesperado.

Outra coisa que vale menção. Depois de ver o monte de coisa que inesperadamente começa a se mexer no fundo dos mares australianos, estabeleci uma nova resolução de vida: nunca praticar mergulho perto da Austrália. Bom, como eu nunca pratiquei mergulho em lugar nenhum, sem problemas por enquanto. Mas já fico de sobreaviso, se algum dia me der a loucura de tentar praticar algum tipo de esporte subaquático.

Grande Letra
Fausto
05:47

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Saturday, July 16, 2005
 
Já mencionei que está quente?

Pois é, continua quente aqui. Na verdade não é sempre. Há dias em que chove também. Não posso reclamar, teve dias mais agradáveis, nublados e tranquilos. Um desses foi a quinta desta semana. Depois da natação matinal, resolvi pegar o trem para a universidade, ao invés de andar, já que não tinha muito tempo até a próxima aula. Por uns poucos minutos eu perdi o trem, mas não estava com tanta presa assim, então não liguei. Mesmo pegando o trem seguinte, conseguiria chegar a tempo para a aula. Além do que estava me sentindo bem, tranquilo e descansado. Em paz comigo mesmo.

Momentos de paz

Aproveitei para admirar o silêncio. E o silêncio em si é admirável. Estranho pensar que uma cidade significativa como Tóquio tem lugares tão tranquilos. E não são lugares eventuais. Lugares tranquilos são bastante comuns. Isso acontece porque o agito das cidades fica perto das estações de trem. A lógica é imbatível: se você tem a mais vaga intenção de vender seu produto, não há opção melhor que um lugar onde passam milhares de pessoas diariamente. Ao contrário, longe desses lugares, não há quase movimento nenhum. E a estação eonde eu estava não era exceção. Era a estação que conectava a linha principal da ferrovia Keio com o hipódromo de Fuchu. Dizem que nos finais de semana é bem agitado. Mas numa quinta-feira de manhã... Além de mim, havia um senhor de bengala, um salaryman de paletó e maleta e o próprio maquinista. O trem, de apenas dois carros, chegou na estação e lá ficou por longos cinco minutos antes da partida. Aproveitei para perguntar ao maquinista quantos passageiros cabiam no vagão. Cento e vinte passageiros - de pé e sentados sem se apertar, disse ele. Imagino que tenha mais movimento nos fins-de-semana. A não ser que a empresa tenha feito essa linha com refugos, o prejuízo é visível. Pelo menos fico feliz de eles não decidirem cancelar de vez em quando os serviços por falta de passageiros.

Mas isso foi na quinta. A sexta, pelo contrário foi muito quente. Mas não teve muitas novidades. A maior parte do dia eu gastei no meu baito (um bico que eu tenho de tradutor, que paga razoavelmente bem). Depois disso, mais natação. Felizmente não fiquei muito tempo exposto ao sol. Os relatos que eu ouvi me fizeram crer que o dia estava extremamente desagradável. Felizmente eu tinha trazido na mochila bermuda camiseta e sandálias - o kit verão e não tive de ficar usando a roupa social que é obrigatória no serviço.

Eu só fico preocupado com uma coisa. Hoje a temperatura passou dos 30 graus e ainda nem é verão. Imagine quando ele chegar.

Felizmente teve natação hoje à noite. Por sinal, a água estava bem mais 'pesada' que de costume. Parecia até que estava nadando em óleo de cozinha. Mas tenho certeza que não era, já que no curso do dia estava incluído o nado de costas,o que sempre me garante uma boa degustação da água 'piscinal'.

Mais sumozadas

 Mudando de assunto, eu acho que descobri a causa desse clima tão incomum: assisit quando cheguei em casa o sumário da disputa de sumô (começou uma nova temporada no domingo). A causa era óbvia: Takami Zakari, que é conhecido por seu ritual animado antes das lutas começarem e por perder fácil, arrasou seu adversário, conseguindo três vitórias consecutivas. Por sinal, ele foi muito bem. Como de costume, o adversário começou espalmando o seu queixo, o que sempre fez ele perder o equilíbrio e ser empurrado para fora. Só que desta vez ele conseguiu pegar o braço do adversário e rodar ele e, num movimento contínuo, jogá-lo para o chão. E ainda fechou com a chave de ouro, também marca registrada dele: retornar para o vestiário com o peito tão empinado que parecia querer sair voando (por sinal, quando ele perde, parece que sua gravidade pessoal aumentou em 10 vezes).

Aproveitando que estou falando de sumô, o pouco que eu vi dessa temporada me deixou satisfeito. O nível dos lutadores está muito bom. Nada mais de mera troca de palmadas no rosto. Acho que o campeão atual, Asashoryu, que parece se encaminhar para a terceira ou quarta vitória consecutiva, está forçando o pessoal a melhorar técnicamente para encarar o desafio.

Outros destaques, além de Takami Sakari, que muda o clima com seu desempenho incomum. Koto no Waka também é bastante popular, por seu nível técnico. O que chama a atenção é que ele tem um rosto aparentemente incompatível com seu tamanho. Parece que colocaram uma cabeça de criança no corpo de um elefante branco. E essa mistura gerou um lutador muito bom.

Koto no Ooshu (de um país ex-soviético), que na temporada anterior levou uma tremenda ombrada no rosto (estranhamente uma manobra legal, já que não foi de propósito) de Asashoryu, suficiente para perder o equilíbrio de maneira teatral, desta vez mostrou um excelente desempenho (contra outro adversário), conseguindo utilizar bem a vantagem da altura, combinada com a velocidade. Por sinal, numa coincidência poética, ele deu uma ombrada na cara de seu adversário hoje, fazendo com que seu supercílio direito sangrasse como uma cachoeira, o que é bastante raro em sumô.

Mas nem tudo é qualidade. Ontem o lutador eslavo Kokkai mostrou que vencer às vezes pode ser algo totalmente sem graça. Lutando contra o supracitado Koto no Ooshu, ao invés de arriscar o choque inicial característico das partidas de sumô, ele não se mexeu e, num gesto rápido, espalmou as mãos do adversário, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse de cara no chão como uma jaca podre. Foi um movimento legal e ele venceu. Mas não foi nada atrativo como partida. O público não ficou nada satisfeito (e eu também não).

E, para quem tinha saudade do estilo tradicional de sumô, Chiyotaikai (eu sei que os nomes são meio intragáveis, mas você precisa ver eles escritos!) venceu seu adversário (não lembro quem era) depois de trocar quase 40 palmadas no rosto. E se você pensa que os tapinhas são insignifantes tente levar uma patada dessas na cara (não, eu nunca levei uma patada no rosto).

Nossa, acabei escrevendo bastante. Mas falei o que eu queria deixar registrado. Já posso dormir tranquilo hoje. E bater o trabalho para a universidade amanhã, já que o prazo final se aproxima.

Grande Letra
Fausto
04:02

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