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Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português



Saturday, March 26, 2005
 
 Mais coisas para fazer.

  Anteontem uma amiga me deu um telefonema mais que bem-vindo. Ela me chamou para mais um trabalho de tradução.
  Estou traduzindo umas fitas de um documentário feito no Brasil. Estou traduzindo no local. É interessante e divertido, apesar de ser um pouco cansativo.
  É das 9 da manhã às 10 da noite. Pode sair mais cedo se quiser, mas o pagamento não é por cota e sim por hora, então... A única desvantagem é que não dá para fazer nada mais no dia...
  Bom, mando mais detalhes depois.
Grande Letra
Fausto
01:07

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Thursday, March 24, 2005
 
 Hokuto no Ken
Aproveito uma repentina insônia para lembrar de uma das minhas séries favoritas de manga/anime: Hokuto no ken, conhecida nos EUA como Fist of the North Star. A série chegou a ser representada no Brasil por sua infame versão live action. Note-se o maior problema dessa versão é ser fiel ao anime. Por algum motivo, não é a mesma coisa.
Bom, vamos aos fatos sobre o desenho. Não vou ser muito detalhista já que há muitos sites bem mais detalhados. Vou apenas lembrar os detalhes que vêm à cabeça agora. (Sério, estou só matando tempo...)

Primeiro, o cenário. A história se passa após o holocausto atômico, que ocorreu no ano de 199X (ou seja entre 1990 e 99), o que já abre um grande furo no argumento. (Mas deixemos isso para lá, a história foi escrita nos anos 80). O local é desconhecido (aparentemente o Japão, porque não?). Os que conseguiram resistir ao fogo atômico (se abrigando, espero), foram forçados a sobreviver num mundo árido e quase sem vegetação e água. De quebra, o que reina agora é a força. Todo e qualquer tipo de civilização que conhecemos foi transformada em um apocalipse estilo Mad Max (por sinal, a influência é clara). Para piorar, os fortes são muito fortes e os fracos muito fracos (hmm, isso me é familiar...).

Vamos às pessoas que habitam esse mundo infernal, em ordem de poder:
Há vários tipos, como de se esperar, mas que podem ser simplificados em:
Pessoas boas: fracos, doentes, crianças, mulheres (o desenho é bastante machista, sim) e qualquer um que tenha um físico menos poderoso que um jogador de xadrez. Em suma, o lado fraco.
Fora os heróis, o resto é do mal.
 Pústulas: pessoas nojentas (em geral fisicamente deformadas) sem força e caráter. Assistentes dos outros malígnos, vivem nas sombras planejando ser grandes, mas seu destino real é ser esmagados de maneira humilhante e dolorosa.
Trogloditas: Com físicos extremamente desenvolvidos, com altura média de 3 a 4 metros. Geralmente muito feios e/ou deformados. Babam, tem cara de porco ou outras deformidades zoomórficas (às vezes). Se vestem como punks e personagens de Mad Max (de novo). Sâo ruins até o osso e merecem morrer simplesmente por existirem. Pelo menos é o que argumento inicial leva a crer. Sobrevivem de pilhagem e usam armas como meio de comunicação. Detalhe: não há mais quase nenhuma pólvora e pouca dinamite, o que os força a usar armas mais primitivas. Curiosamente, parecem ter estoques ilimitados de gasolina, já que freqüentemente andam de carros e motos. De qualquer forma, não duram mais de uns poucos quadros (ou segundos no anime)... Como regra, servem a um sublíder malígno
Sublíder malígno: Soldados fiéis de um dos vilões da história. Não duram mais que cinco páginas, mas em troca morrem sofrendo mais. Não babam (tanto, pelo menos) e alguns deles parecem (malfeitores) normais. Gostam de fazer o mal de maneira planejada e se acham muito fortes e inteligentes. Geralmente armam ciladas que funcionam, mas não tem efeito nenhum sobre o herói.
Vilões: A despeito de serem de tamanho 'normal' (para a história, o que vai de 2 a 2,5 metros), são muito mais fortes que todos acima (juntos). Dominam um tipo de arte marcial secreta super poderosa que só pode ser passada para um discípulo (os colegas de classe são mortos na formatura ?). Tem aparência normal (variando até para galante), com eventuais cicatrizes. Podem ser subdivididos, pelo estilo de arte marcial, em dois grupos principais: Cruzeiro-do-Sul e Ursa Maior. Os do primeiro grupo tem golpes cortantes, capazes de fatiar objetos e pessoas (na maioria pessoas) sem o menor esfôrço. Os do segundo grupo tem golpes 'explosivos' que destroem o corpo de dentro para fora. Alterando a circulação (ou de seja lá como for), fazem seres humanos explodirem em gritos de imensa dor, em geral com detalhes indesejáveis de anatomia interna (no anime substituídos por sombras azuis). Esses sim duram bastante: Alguns chegam a dar trabalho a série toda. Originalmente eram de boa índole (alguns), mas uma grande decepção no passado os fez vestir as camisetas do time do mal.
Por último,
Heróis: Uns poucos infelizes que amargurados com perdas pessoais e um forte espírito de vingança decidiram destruir tudo o que há de mal no mundo. E nada de diálogo: neste mundo, a justiça se faz no braço e na hora. Em geral tem algum tipo de cicatriz, na maioria dos casos auto-inflingida. Geralmente no rosto e, se possível, levando um ou dois olhos (sim tem um herói completamente cego que não obstante luta muito bem). Apesar e apanharem bastante, são muito resistentes, aguentando até o último momento para poderem morrer na frente do grande herói, de modo que ele se enfureça (mais) e ganhe novas forças para a luta. Sua morte não será em vão! Por sinal, a grande maioria dos heróis é do grupo Cruzeiro do Sul
Grande Herói: Só pode haver um! Kenshiro, único a conhecer os segredos da mortal técnica Hokuto Shinken (na verdade, há mais uma penca de pessoas que sabem, mas ele dá um 'jeito' para continuar único...). Do tipo Ursa Maior, tem porte 'normal', podendo ficar mais musculoso. Tem um estoque infinito de roupas, pois destrói um conjunto por luta, só com a expansão muscular (as calças, felizmente nunca são danificadas). Apesar de ser 'do bem', tem alguns traços de vilão: sarcasmo mortal com os vilões (eles merecem!) e falas tipo: 'Não se engane! Eu sou um assassino profissional!', entre outras. Suas marcas registradas: sete cicatrizes no peito (as únicas que duram), propositalmente alinhadas de modo a lembrar a constelação da Ursa Maior, causadas 'a dedo' no passado pelo primeiro vilão que ele eliminou (por sinal, era seu melhor amigo, mui amigo);Golpes fatais acompanhados de muitos 'Atatatatata' bem agudos; e a fala 'Você já está morto'.Esses últimos, por sinal, foram parodiados em sei-lá-quantos animes e quadrinhos, indicativo da popularidade da série.
(Um parêntese, embora a maioria dos japoneses não tenha lido a série ou visto o desenho integralmente, quase todos sabem do que se trata. Sua fama está voltando através da reedição da série e lançamento de máquinas de caça-níqueis e Pachinko baseados na série)
Bom, o sono está voltando (Já estava na hora).
Depois eu continuo com o post, falando dos detalhes mais interessantes da série...
Deixo dois links de brinde, sobre a série:
 http://www.badmovies.org/movies/fistnorthstar
http://members.shaw.ca/pierrelyons/home.htm

Grande Letra
Fausto
05:10

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Wednesday, March 23, 2005
 
 Algo importante para dizer...

Depois de tanto tempo um post sério!

  Uma coisa que eu sempre deixei de falar, mas nunca deixei de sentir.
  Apesar de eu falar de muitas coisas que eu achei estranhas ou interessantes no Japão, nunca tive a intenção de depreciar o país. Meu interesse em entender a cultura e a língua japonesa nunca diminuíram. Pelo contrário, aumentaram ainda mais depois de vir para cá.
  Outra coisa que não posso deixar de dizer é que me sinto muito grato por ter tido essa chance de prosseguir meus estudos no Japão. Graças à bolsa de estudos que recebo isso é possível.
  Após vir para cá tive contato com outras culturas, através de estudantes de outros países. Com essa experiência, deu para ver que há várias formas de se levar a vida. Não há uma cultura que tenha a resposta certa (ou errada). Por outro lado, vi que apesar das diferenças entre várias culturas, no fim das contas somos todos parecidos.

Só há um aspecto negativo: Sinto falta das pessoas queridas que estão no Brasil. Mas isso é uma circunstância temporária. Por enquanto fica a saudade...

 

Grande Letra
Fausto
22:20

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Sunday, March 20, 2005
 
 O dia em que a ilha andou
Hoje teve um terremoto em Kyushu, que fica longe o bastante de Tóquio para eu não sentir seus efeitos, apesar da intensidade. Felizmente não teve efeitos aqui, mas causou grandes estragos por lá.
Estava vendo as notícias e descobri que o terremoto teve força suficiente para mover uma parte significativa da ilha em 17 centímetros, o que é muita coisa em termos geológicos.
Hoje foi um dia cheio de eventos, por causa do fim do ano letivo e diversas festividades diversas. Graças a isso, o terremoto foi muito bem documentado. Além das câmeras pessoais, somem-se as câmeras fixas de segurança, cujas gravações sempre são usadas para mostrar o momento do terremoto.
Mais uma vez, fiquei impressionado pela prontidão dos japoneses para o evento. Nâo deseperam (apesar de eventuais gritos de susto e medo) e aparentemente sempre sabem o que fazer. Vou ver se faço um dos treinos fornecidos pelos bombeiros para terremotos (e outras catástrofes naturais) para nunca ser pego de calças curtas. Não que eu queira que uma coisa dessas aconteça, mas é um tipo de preparo que a gente faz esperando que não seja necessário...
Grande Letra
Fausto
23:13

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 Jogo de sensações  

 A comédia japonesa tem pontos altos e baixos. Muitos quadros são interessantes, especialmente por mostrarem situações tão absurdas que são capazes de fazer rir os mais carrancudos. Há também muitas coisas que não têm o menor traço de graça.
  É muito comum ver quadros envolvendo humor físico, o que inclui, é claro, o pastelão, mas com menos bolos e tortas. Semana passada eu vi um quadro que eu achei bastante idiota, a princípio, mas no final das contas acabei rindo um pouco. Era parte de um show de perguntas com a participação de comediantes (provavelmente amadores), onde os que ficavam para trás tinham de pagar prendas.
 É justamente uma dessas prendas que motivou este post. O 'prendado' tinha de subir num pequeno patamar, com duas enormes mangueiras sobre ele.
 A prenda era simples: Uma das mangueiras despejava água fria (pela reação, gelada) e a outra quente (mas aparentemente não fervendo). De brinde, de vez em quando jogavam uma bacia vazia sobre o felizardo. O que o 'prendado' tinha de fazer? Reagir de maneira oposta ao que ele sentia. Ou seja: quando era água fria, dizer que sentia calor e vice-versa. Para a bandeja, bastava dizer que não doía ou que tinha sido bom.
 Vale lembrar que em japonês as 'interjeições' para as citadas situações são bem óbvias: atsui (calor), tsumetai (frio) e itai (dor). Bem mais sofisticado que um simples 'Ai!'. A prenda era também uma prova de resistência, que rendia uns pontos para subir de classificação. O segundo candidato foi imbatível, aguentou mais de vinte duchas e baciadas até perder a concentração e se render aos instintos (acho que foi num dos 'atsuis'.
 É claro que isso é mais divertido vendo que contando. Ou talvez não seja. Afinal, gosto não se discute.
Grande Letra
Fausto
17:55

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Thursday, March 17, 2005
 
 Uma nova etapa concluída

 Por ocasião da Foodex, eu acabei concluindo uma etapa da vida social no Japão que devia ter cumprido há muito tempo: criei o meu cartão de visitas. Graças a isso, pude participar de um dos rituais mais interessantes do mundo de negócios japoneses: a troca de cartões de visitas. E agora espalhei contatos ao vento. É o jeito, se não usar isca, não dá para pescar nada. Vamos ver no que dá...
Grande Letra
Fausto
18:32

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 Relatório Foodex

 Minha experiência como intérprete na Foodex (a exposição internacional de alimentos que eu citei antes) foi muito boa. Consegui uns contatos para futuros trabalhos, aprendi uma coisa ou outra sobre a mentalidade empresarial japonesa e como são feitas as negociações aqui. Tem ainda muita coisa para aprender, mas foi uma etapa interessante.
 As pausas para o almoço na feira foram interessantes, pois dava para beliscar uma coisa aqui e ali, nas diversas bancas de vários países. Foi um verdadeiro turismo alimentar. Além disso, eu participei da cerimônia de abertura oficial da Foodex (fui convidado pelo expositor que eu estava traduzindo), que acabou sendo mais um bom jantar. Eu acabei tirando uma foto com um goleiro equatoriano (ou coisa parecida) que estava lá. Disseram que era muito famoso, embora eu não faça a menor idéia de quem seja. Mas aproveitei a chance de qualquer jeito...
 No final do quarto dia, coletamos os louros da vitória: o pagamento. De quebra, cada um ganhou um pouco dos produtos que foram expostos na feira sem ser usados. Um dos itens mais interessantes foi o Goiachup (catchup de goiaba), que tem um gosto muito bom, bem diferente do que eu tinha esperado...
 Hoje tive mais um retorno da feira da semana passada: Um dos expositores, com quem eu mative contato na feira pediu para ajudar como intérprete hoje. Como pediram para eu ser discreto sobre os detalhes que foram tratados nas negociações, não falo mais nada sobre isso, mas é um bom sinal. É um bom indício de conseguir novos trabalhos como intérprete por aqui.
Grande Letra
Fausto
18:32

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Tuesday, March 08, 2005
 
 Delicioso trabalho

Esta semana consegui um trabalho temporário, aproveitando que estou de férias. Estou atuando como tradutor (e outras funções adicionais que houver) na seção brasileira da exposição internacional de alimentos (não lembro o nome oficial). O pagamento é bom e o melhor é que na hora do almoço dá para provar um monte de alimentos de vários estandes de diversos países. Um verdadeiro turismo alimentar sem ir muito longe. Até a sexta vai ser assim. Mas é trabalho então não dá para vacilar. Estou dando o melhor de mim. Se possível, consigo algum contato para traduções futuras.
Ah, um detalhe: o local da exposição é o mesmo do Tokyo Game Show, o Makuhari Messe, em Chiba.
Grande Letra
Fausto
22:20

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 Voltar...
 
Estou de volta ao Japão. Minha vida voltou ao normal. Mas o normal que eu vivia aqui, não o meu normal de sempre. Será que posso dizer que estou normal então?
Só que a volta não foi tranquila como eu esperava. Não quero dizer que tive problemas na viagem. Na verdade, muito pelo contrário, na metade do caminho, tive dois lugares só para mim. Mesmo sendo mais longa que o normal (mais de 30 horas), foi confortável e livre de problemas.
O maior problema é que, depois de passar um pouco mais de um mês na terra brasilis, fiquei com saudade. Saudade de passar o tempo com minha família, minha noiva e meus amigos. Mas vou ter de acostumar com isso. Afinal, não há nada que eu possa fazer (fora umas horinhas de contato via chat e outros). De consolo, fica o fato de que vou voltar no meio do ano, para um compromisso muito importante. Gatinha, prepare-se!
Um abraço de saudade para todas as pessoas que me são queridas.
Grande Letra
Fausto
22:09

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 Vida de espinafre

Essa é curta, mas vale ser contada. No Japão, videntes e cartomantes são muito populares (no Brasil também têm muitos videntes ricos, então não dá para falar muito mal). Vi um programa na televisão que falava justamente sobre a grande popularidade dos adivinhos. Numa das partes do programa, mostraram várias garotas cuja vida era quase totalmente guiada pelos videntes. Uma delas foi engraçada. Falou que uma vidente disse que ela, em uma vida passada era espinafre. Graças a isso, ela passou a gostar mais da citada verdura. Para seguir uma lógica dessas, tenho de admitir a possibilidade de a vidente estar certa...
Grande Letra
Fausto
21:57

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De volta de novo!

Finalmente consegui restabelecer a conexão com a internet. Desta vez estou compartilhando com outra pessoa, o que deixa a conta mais barata. Tinha dado problema no provedor e a conta foi cancelada  mas deixa isso prá lá, o que importa é que eu estou conectado.
Desculpas a meus fiéis leitores pelo espaço em branco. Tenho muitas coisas para contar, mas não estava com paciência ou organização para escrever no computador partilhado do térreo.  Agora que posso escrever da tranquilidade do meu lar, devo ser mais frequente.

Vamos aos posts! (acima)
Grande Letra
Fausto
21:48

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