Sobre este blog
Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português
Friday, December 31, 2004
Dizem que vai nevar
A previsão do tempo para amanhã é de neve. Com sorte, vou passar o ano novo em branco. O pessoal está programando ir para um lugar legal para fazer a contagem do final do ano novo. Eu não sei exatamente para onde ir, mas não vou passar aqui no alojamento. Como no ano passado fui em Shinjuku, estou pensando em ir para um lugar diferente. Mais notícias depois.
Ah, também vai ter ceia de ano novo. Vamos ver o que o pessoal vai fazer. Eu vou preparar um peixe e feijão, para completar o que eles trouxerem. Imagino que mistura vai ser.
Um grupo de técnicos está num laboratório, pesquisando. De repente abre uma porta e todos olham para ela. Da porta sai um senhor de paletó que aponta para um dos funcionários e, com um gesto, convida-o para entrar. Ele entra. O narrador explica: De vez em quando, neste centro de pesquisas se abre uma porta do futuro. (Corta para o nome da empresa).
Simples, mas achei interessante. Esse é o tipo de propaganda que eu gosto.
Revendo um pouco minha opinião: há muitas propagandas que são legais. Há, também, muitas insípidas. Por último, as ignóbeis. Vou prestar mais atenção para destacar as legais. Se possível, vou colocar link delas, assim que achar.
Um homem, vestido como se estivesse saindo para trabalhar, entra no quarto, falando: 'está na hora de sair, vamos chegar atrasados'. Uma voz feminina, debaixo dos grossos cobertores diz que não está se sentindo bem e não quer ir. O homem retruca que não tem desculpas para matar o trabalho. A voz pergunta, 'quem é mais importante, eu ou o trabalho?'. O homem puxa o cobertor, revelando um gigantesco estômago, com pernas e braços. Ele mostra o remédio para dores estomacais e diz que não há mais nada para se preocupar. O estômago abraça o homem, dizendo 'Querido!'. (corta para a caixa do remédio, comentários sobre os efeitos benéficos da droga).
Bom, pelo menos é melhor que a da mulher dando a luz a um cavalo... Acho bastante apropriado citar o comentário do Nalon para a citada propaganda. Este vale aqui também:
Note, uma propaganda é boa não se ela é artística, mas se você se lembra dela. Acho que vai ser difícil você esquecer essa aí pelo resto da sua vida, então é uma ótima propaganda.
De fato, essa é outra que não vou esquecer tão cedo, o que demonstra que a propaganda é eficiente. Mas eu ficaria mais satisfeito se eles se esforçassem para que as propagandas fossem inesquecíveis por seu elevado nível artístico e não por causarem traumas irreparáveis... :)
Hoje, a três dias do fim do ano, finalmente nevou em Tóquio. As constantes alterações climáticas fizeram com que a neve chegasse mais tarde esse ano. Para compensar, tivemos um dia bem frio e com muita neve. Não tanto como em outras regiões, mas cinco centímetros é bastante para um brasileiro como eu.
Neve é bastante bonito, mas não deixa de ter sua parte inconveniente. Nâo dá para andar de bicicleta e as calçadas ficam difíceis de andar. De qualquer forma, eu gosto. Imagino o quanto ainda vai nevar de agora em diante. Teoricamente, deve ter neve até o fim de fevereiro ou março, mas só o tempo dirá como será de fato. Vamos ver como vai ser.
Resolvi escrever este post enquanto estava vendo um episódio de um dos animes mais populares do Japão. Não é nada espalhafatoso, não tem cenas fortes ou situações absurdas. Nenhum personagem tem qualquer tipo de super poder ou qualquer coisa que realmente chame a atenção. É o desenho Sazae san. Há bem mais de 30 anos os japoneses acompanham na TV o dia-dia dos personagens da família Isono, criados por Machiko Hasegawa. Em quadrinhos Sazae san foi lançado em 1946, e a versão animada está no ar desde 1969, tendo atingido hoje o 5515o episódio.
São em média 3 episódios por semana, de dez minutos, o que é suficiente para 35 anos e quatro meses. Fazendo um rápido cálculo é fácil ver que muito provavelmente a série não teve nenhuma interrupção desde seu lançamento. Considerando só a animação nova sem a música de abertura e encerramento (mas há um porém: todas as entradas são levemente diferentes, porque mostram a personagem principal, Sazae, viajando em algum ponto turístico do Japão), temos cerca de 22 a 25 minutos por semana. Ao todo (acho que os cálculos estão certos, mas meu 'músculo matemático' está meio enferrujado hoje e nem a calculadora está ajudando), então são cerca de 674 horas.
Para assistir tudo isso, sem considerar, é claro, os especiais e longas que provavelmente existem, são necessários cerca de 84 dias, isso gastando oito horas diárias, o que já e mais do que torturante.
Não falo isso por causa da série, mas acho que não seria capaz de assitir por quase três meses a mesma série durante metade do tempo que eu passo desperto por dia.
Bom, se algum de meus amigos se voluntariar a tanto, fico ansioso para ouvir qualquer tipo de comentário sobre a série. Melhor ainda, seria mais interessante fazer um acompanhamento diário da mudança de opinião do(a) bravo(a) voluntário(a). E não seria perda de tempo total para quem assiste. Afinal, como eles são tão normais, é uma boa forma de conhecer a cultura japonesa pós-guerra.
Algúem se lembra de um programa que passava há um tempão na TV Cultura (eu acho), chamado "O Bicho de Goiaba"? Tinha uma música que tocava na entrada, e eu estou tentando lembrar da letra. Se alguém tiver o mp3 (muito improvável) melhor ainda. Eu lembro que tinha um refrão que tinha uma parte como:
Dizendo 'Necas, necas de bulhufas',
Minha goiaba ficou horripilante
Eu sei que é meio (totalmente) vago, mas é que esse refrão incompleto vez por outra volta para me assombrar há muito tempo e eu acabei ficando curioso para lembrar o resto. Aproveitando o blog, talvez consiga tirar um pouco de poeira de lembranças antigas de meus amigos. :)
Sei que isso acaba sendo trabalho para arqueólogo, porque o troço tem entre quinze e vinte anos. Para os que se lembram, era contemporâneo do 'Lupu Linplin Clapa Topo', da Manchete, 'Turma da Tia Leni' e outros que eu não arrisco nem citar porque a memória já não alcança informações tão antigas com clareza (eu tinha uns sete ou oito anos na época e minha preocupação principal nunca foi memorizar nomes de shows)...
Eu estava num grande prédio de apartamentos, que era um condomínio bom onde minha mãe estava morando. Num dos andares tinha um mercado, e noutro um restaurante. Era um prédio legal, mas acho que não moraria lá na realidade, se pudesse escolher. Eu estava no andar do mercado, quando notei que estavam andando por lá George Bush e Saddam Hussein, fazendo compras (eu acho) amigavelmente. Eu, aproveitando que estava com uma câmera no bolso, não podia perder a chance de tirar uma foto.
Entretanto, assim que eu tirei a câmera do bolso, ouvi uma voz de comando, para parar e mostrar o que eu tinha em mãos. Era um dos seguranças de Bush, que à distância, percebeu depois de algum tempo que era só uma câmera e me autorizou a prosseguir. Me aproximei dos dois e pedi para tirar uma foto. Não tinha um ângulo muito bom então tive de tirar as fotos com a câmera longe do rosto ou seja, meio que no chute. O estranho é que não importava quantas fotos eu tirasse, elas sempre saíam totalmente pretas. E eram fotos digitais. Meio desapontado, deixei os dois.
Depois de um tempo, me dei conta de que estava em posse de uma excelente câmera, e resolvi tentar achá-los de novo para fotografar. Não foi difícil, acabei achando-os no restaurante. Novamente, pedi para tirar uma foto. Já meio irritados, eles deixaram. Tentei de novo, mas não deu certo. A foto sempre saía preta. Mas que dupla de queima-filmes!
Este fim de semana eu participei de um evento de intercâmbio entre Brasil e Japão, realizado na cidade de Daito, em Shizuoka. Lá, eu atuei meio que como intérprete e co-apresentador. Havia uma apresentadora para a versão em japonês enquanto eu fazia o português. Aproveitando que eu estava lá, também participei de um teatrinho para as crianças, atuando como o doutor Sabe-tudo. Foi tudo divertido, e no final das contas uma experiência interessante.
Um dos destaques para o evento foi a peça realizada pelos alunos do primeiro ano do português, que representaram a peça Momotaro, toda em português.
Fora isso, outra coisa que merece destaque não tem nada a ver com o evento. Antes da apresentação a gente foi para um onsen. Como foi de graça, melhor ainda. Uma das banheiras, em uma seção reservada, tinha umas cadeiras de aço, dentro da água. O banho era chamado de banho de massagem de baixa freqüência. Pensei que fosse um banho de pulso infrassônico, como tinha visto antes. A cadeira não tinha nos outros banhos, mas achei que fosse só um detalhe. Quando eu finalmente resolvi tentar entrar na banheira, descobri o que era a tal da baixa freqüência. A cadeira de metal era desenhada especialmente para passar um pulso elétrico de baixa freqüência, da mesma forma que aqueles aparelhos de musculação elétrica fazem (imagino se ainda estão passando essas propagandas por aí). Só para lembrar, isso era dentro da água! É claro, levei um susto, mas, como não tinha morrido, achei que não teria maiores problemas. Isso até quando eu comecei a perceber que, se eu relaxasse os dedos das mãos, eles começavam a se curvar 'espontâneamente'. Decidi que era hora de deixar o banho elétrico.
Mais uma novidade que o pessoal aqui apronta. Quem foi o doido que inventou um negócio desses? Parece daquelas invenções 'saudáveis' do início do século XX. Felizmente, a maioria absoluta das pessoas aqui é normal. Só os pnéis é que chamam mais a atenção...
Hoje eu vi uma propaganda que me deixou impressionado. Infelizmente mal impressionado. Era mais ou menos assim:
Uma mulher (na faixa dos 20) entra numa loja de conveniência e fica espantada ao ver que o produto estava tão barato (acho que era um tipo de software). Ela desmaia, o que chama a atenção dos dois rapazes do caixa. Um deles corre para acudir a moça e coloca um monte de palha em volta dela. A câmera muda para o cara que tinha ficado no caixa. Ele fala: 'nasceu!', e a câmera muda para a moça, agora com um filhote de cavalo recém-nascido em cima da palha. Os caras do caixa ficam comovidos com a cena e um deles derrama lágrimas de emoção. E eu de raiva.
Essa pegou pesado. Não consigo nem imaginar de onde alguém pode tirar uma idéia dessas sem recorrer a drogas alucinógenas.
E eu que tinha até então estava espantado com a quantidade de propagandas de remédio para hemorróidas, que passam em vários horários.
Neste fim-de-semana eu fui a Shinjuku de bicicleta, porque estava sentindo falta de um pouco de exercício. Como de costume, aproveitei que não precisava esperar o último trem e fiquei até um pouco mais tarde. Na volta, aconteceu o que eu esperava. Fui parado novamente pela polícia, desta vez só duas vezes.
É fácil saber quando a polícia vai me parar por aqui. Basta eu olhar para os policiais ou estar dentro do campo visual deles por mais de três minutos. Ah, andar de bicicleta pelas calçadas depois da meia-noite também ajuda... ;)
Uns dias atrás eu vi um concerto realizado com vários pianos, onde tocaram peças como a Cavalgada das Valquírias, entre outras, contando com a partipação de pianistas de vários países. O engraçado foi ver a cara de cada um. Não sei por que, mas muitos músicos ficam se contorcendo e fazendo caretas ao tocar seus instrumentos (por favor, não faça segundas interpretações aqui :)) E esse concerto não foi diferente.
Tenho certeza de que o grupo era composto por grandes pianistas, mas será que eles realmente precisavam tocar como se tivessem um hâmster dentro da roupa? Provavelmente deve ser alguma estratégia mnemônica, lembrar a música através da posição do corpo, como se fosse uma dança. Ou vai ver que tocar piano é realmente muito, mas muito bom... :)
Hoje o dia começou como outro qualquer. Frio, tranquilo, silencioso. Um pouco depois de acordar, mentalmente revi a agenda do dia.
- ...
- Nossa, hoje eu faço 29!
Pois é, finalmente o dia do meu aniversário chegou. Para falar a verdade, não senti nenhuma diferença, estava tudo no mesmo lugar. Mas isso é normal.
Como esperava, minha mãe e minha namorada ligaram cedo, me desejando parabéns, me dando o melhor presente que alguém pode esperar: calor humano.
Hoje eu combinei de fazer um pequeno jantar, lembrando daqueles que eu fazia em casa, para comemorar meu aniversário. Infelizmente, meus amigos de Brasília, que sempre apareciam nos aniversários, não estarão aqui hoje. Vamos ver como vai ser a tal da festa. Para comemorar, resolvi fazer algo que não se come muito por aqui: frango inteiro, assado no forno. Depois conto mais notícias sobre o dia...
Hoje eu não tive um sonho interessante, tive dois! Aqui vão eles:
O perigo vem de cima!
Eu estava em Brasília, no térreo do bloco onde mora a minha mãe. Estava conversando com alguém e o papo estava interessante. De repente, aconteceu algo mais que inesperado: mais ou menos a 100 metros de distância, caiu um jato F-14, de ponta, em perfeito ângulo de 90 graus. Não sei o tamanho de um verdadeiro, mas ele era enorme, tinha quase 15 metros de comprimento (altura, já que estava de pé). É claro, todos que estavam em volta imediatamente ficaram de queixo completamente caído. Mas o susto não parou aí. Logo depois caiu outro, no outro lado do edifício, de modelo identificado. Depois, mais outro. Em menos de 10 minutos, caíram 5 ou seis aviões de modelos diferentes, sendo que o último parecia com um avião de transporte tipo Hércules. Graças ao imenso poder de informação dos sonhos, eu logo descobri que era o robô (à esquerda), ajudante de um invasor alienígena, personagem do desenho Invasor Zim, que tinha recebido ordens de coletar os motores dos aviões disponíveis para gerar energia. Mas, como o robozinho era totalmente doido (no desenho é assim), interpretou errado o comando e resolveu jogar os aviões na direção de seu dono...
Nunca fique no térreo
Eu estava num quarto de hotel, relativamente grande bem arrumado e confortável, acompanhado de minha namorada e, sabe lá por que, tinha um parente meu também... Eu e minha namorada estávamos num cômodo e o parente em outro. A noite estava passando tranquila, quando eu notei pela janela, uma pessoa se aproximando sorrateiramente. Era um bandoleiro indiano (não sei como eu sabia a nacionalidade dele), que tinha muito interesse em nossas coisas. Para piorar, estávamos no térreo e o quarto tinha muitas janelas de vidro. Ou seja, era praticamente impossível impedir a entrada do sujeito. Acordei o pessoal e ficamos na defensiva. O bandido 'achou' uma entrada por uma janela e tinha quase conseguido entrar, quando eu o empurrei para fora e joguei para ele umas sandálias. Isso pareceu fazer mais efeito que um golpe, pois instantaneamente ele ficou parado, examinando os calçados para ver se tinha algum valor. Passei mais uma coisa ou outra, intercalando com um pouco de língua internacional de turista (gestos amplos e uso de palavras monossilábicas), e satisfação dele aumentou. Por último, depois de passar um par de tênis vermelhos, ele desistiu de entrar e foi embora. Ficamos tranquilos e pudemos descansar mais um pouco, até que tivemos nova surpresa: o quarto do hotel estava novamente rodeado de bandoleiros, desta vez provavelmente de outra nacionalidade. Todos nos armamos e ficamos em posições relativamente estratégicas, tentando achar pontos mais prováveis de invasão para bloquear a entrada deles. Felizmente eles não estavam armados com pistolas ou rifles. Seu arsenal era basicamente composto por coisas que seriam catadas em um arrastão: ferramentas de jardim, bastões e coisas parecidas. Nós, sem muita escolha, pegamos o que tinha por lá. Felizmente havia muitas coisas que você normalmente não vê em um quarto de hotel, como pés de mesa soltos, vassouras, ferramentas de jardim (estávamos em pé de igualdade, eu acho), bastões de monges japoneses, coisas do tipo.
Em certo ponto, saímos do quarto (contrariando a regra do filme de terror de ir para lugares com menos probabilidade de salvação) para ver se tinha um lugar mais seguro, só para ver que havia bandidos em toda a parte. Na verdade, é como se o hotel fosse o único edifício em toda uma vastíssima pradaria. Não havia nada visível em volta, e estava muito escuro (afinal de contas, era noite). Resolvemos voltar para o quarto e continuar lutando por nossa segurança.
Em certo momento, os bandidos estavam quase conseguindo passar por uma entrada indefesa. Corri para defendê-la e tive uma pequena luta com um bandido armado com uma pequena tesoura de jardim. Infelizmente ele consegui me desarmar, mas eu logo achei algo parecido com um enorme pé de mesa sextavado, feito de madeira oca, que usei para bater nele.
Infelizmente, não pude saber o resultado da batalha, porque o despertador acabou com toda a ação. Imagino o que teria acontecido não fosse isso...
Ontem tive um sonho esquisito, como eu costumava ter antes. Imagino se isso é um bom sinal...
Eu tinha ido para outro planeta como assistente em uma pesquisa de comportamento dos seres nativos de lá. Chegando no planeta, o chefe (ou era a chefe? Não me lembro) fez uma operação (reversível) de mudança total do corpo, para ficar como os habitantes locais. Eu me recusei a fazer e preferi ficar como estava. Os seres daquele planeta eram lagartos humanóides. Ou talvez seja melhor dizer lagartixas humanóides, porque eram pálidos e tinham pele 'macia' (embora fosse mais dura que a nossa). Logo eu percebi que fazer a operação era a melhor escolha porque, como ser humano, era possível candidato a entrar no cardápio deles. Uma família aceitou que nós fossemos a sua casa para fazer uma entrevista. A casa era 'normal' (afinal era um povo civilizado a ponto de ter naves espaciais, como nós 'tínhamos'). O pior é que os filhos da família pareciam ter interesse especial nos meus braços (quase levei duas bocadas se não fossem meus reflexos).
Pedi para fazer a tal operação, mas fui negado porque o ponto mais próximo onde podia fazer tal cirurgia era muito longe de onde estávamos e eu ia atrasar a pesquisa. Gastei o tempo todo reclamando e escapando das crianças-lagartixa famintas e não peguei nenhum dado dos alienígenas.
Quando a gente estava indo embora, resolvemos sair para a superfície. A cidade onde a gente estava era subterrânea, mas o povo-lagartixa podia vivem em superfície também (razões econômicas? Não sei...) Aí eu tive uma grande surpresa:
A cidade dos lagartixas era Brasília, ou pelo menos igual, salvo ter muitos prédios a mais com estilo totalmente diferente nos espaços vagos.
O sonho se passou no futuro (espero), então será que nos estamos fadados a sermos dominados por lagartixas espaciais ? Ou será que nós viraremos lagartixas? hehe
Bom, cuidados nas próximas eleições para não votar em homens-lagartixa. É fácil identificar: cara de réptil e longa cauda. Não tem como errar. :)
Hoje o dia começou mais tenso que o normal. E hoje é sábado!. Pela manhã eu tive uma prova oral na universidade, que me deixou meio nervoso por um tempo. Acabado o teste, eu já estava mais tranqüilo. Afinal, não adianta ficar pensando na prova, o jeito é esperar o resultado.
Depois, a caminho de casa, eu por coincidência encontrei na estação de trem com um amigo, um brasileiro que chegou esse semestre e está estudando na mesma universidade que eu. Ele estava indo assistir uma apresentação de música e teatro Nô. Parecia legal e, depois que ele disse que era grátis, aí ficou irresistível. Todos os elementos eram propícios: tinha tempo livre, queria relaxar e era grátis.
A peça foi realmente zen. O Nô é cantado em japonês antigo, então só dá para entender alguma coisa, se prestar atenção, o que eu não estava fazendo. Eu aguentei firme a quatro peças curtas de música. Quando chegou a apresentação de Nô própriamente dito (isso é maldade, a música Nõ também é parte. Eu quero dizer música Nô com representação), eu passei a assitir em modo zen. Eu tenho certeza de uma parte profunda do meu semi-consciente assitiu todos os detalhes da peça, apesar de eu estar de olhos fechados e ouvidos vagamente atentos. Bom, é um modo zen de ver as coisas: 'zen ver' hehehe...
Nâo que estivesse chato, mas eu tinha acordado cedo para o teste e o ambiente tranquilo do teatro ajudou.
Bem antes de chegar a metade da peça, o grupo (a gente tinha encontrado com uma brasileira) ergueu a bandeira branca e resolvemos sair. Na estação, nos despedimos da amiga e nos dirigimos para onde devia haver um mercado de pulgas, segundo o amigo. Chegando lá, havia um bando de tanques cilíndricos de lona azul cheio de água, com pessoas olhando dentro dele. Não era com certeza um mercado de pulgas, mas valia dar uma olhada. Era um concurso de carpas ornamentais, do tipo Nishiki (não conheço outros, assim como não conhecia esse, para mim carpas eram até então dividas em dois pares de categorias: grande ou pequena e viva ou morta).
Como não havia nenhum mercado de pulgas e pela total falta de interesse nas carpas, fomos para Shinjuku, onde ficamos olhando para umas lojas, e depois voltamos para as respectivas casas.
Chegando, me 'lembrei' que estava morrendo de fome, e resolvi aproveitar os ingredientes que estavam vencendo, como o iogurte, que valia até amanhã. Além disso, como tinha posto o frango para descongelar, resolvi fazer frango no iogurte. É claro, eu nunca tinha tentado, mas até que ficou bom. A gente nunca sabe onde vai achar uma nova forma de fazer as coisas...
Não se assustem com o título. :) Agora chegamos em dezembro, e o inverno se aproxima (não tenho certeza se já chegou, mas está com certeza frio por aqui). Por causa da latitude elevada, nesta época do ano escurece muito cedo por aqui. Às cinco da tarde, já está totalmente escuro. Isso é meio deprê, dá a sensação de que o dia já está acabando.
Mas aqui ainda é uma região afortunada pelo que eu ouvi. Me disseram que em países mais ao norte, como a Finlândia, só tem sol por umas poucas horas e isso parece afetar a disposição das pessoas. Não duvido. Se uma ou duas horas de diferença já fazem isso, imagine quatro ou cinco horas a menos de sol.