Sobre este blog
Blog das aventuras de Fausto Pinheiro Pereira pelo mundo afora (bom, na verdade, Brasil e Japão na maioria...) Escrito em português
Sunday, June 27, 2004
Azul como o céu e o mar
A guerra das colas (Coca e Pepsi) sempre foi acirrada, e cada lado tenta derrubar o rival com novos produtos. A coca-cola do Japão recentemente lançou uma nova adição à sua longa lista de produtos (tem até cerveja), a Coca-cola C2, que é uma versão local da Coca-light, "metade das calorias, mesmo sabor". Pelo menos é o que eles dizem. O gosto é mesmo de Coca-light e, como tal, não dá o mesmo 'barato' que a original. Meus amigos, sacerdotes do líquido negro podem confirmar isso (da coca-light).
A Pepsi, para não deixar barato, também incluiu uma novidade, que com certeza vai perturbar sua concorrente (assim como seus clientes): a Pepsi Blue: mesmo gosto, mesmas calorias, na atrativa cor AZUL DETERGENTE, para combinar com a cor do logotipo. Provei, é claro, e achei o gosto realmente parecido, mas a sensação de beber um líquido azulado não é tão apetecedora. O líquido preto, pelo menos, tem um tom misterioso, já que não permite a gente ver o fundo (e não ter uma idéia clara da porcaria que está bebendo). Imagino quento tempo um produto desses duraria, mesmo por aqui, onde muitas novidades 'irreverentes' são bem aceitas...
Bom, como diz no título:
Umas fotos diversas, coisas que eu estou vendo por aqui no Japão. Deu preguiça e desta vez eu não vou colocar título nas fotos...
Estas são da universidade. É interessante ver que lugares por onde se passa todo dia podem às vezes revelar umas vistas interessantes...
Infelizmente os corvos são uma constante no Japão. A universidade não é uma exceção. Se bem que este parecia até estar posando... :)
Falando em bichos, vamos para a vida animal local.
A girafa não é de verdade, mas acho que valeu incluir como animal... :)
Eu não tenho certeza se isso se inclui como animal, mas resolvi incluir também essas coisinhas que se vê mexendo perto de madames e peruas por aqui...
Gostei mais do central (daí o destaque). Parece até drogado! :) É impressionante a quantidade de chiwawas e bassets que andam pela cidade. O pior é que muitas vezes eles são carregados dentro de bolsas. O segundo destaque vai para o monte de cabelo vivo.
Passando para um degrau evolutivo acima, pessoas:
Uns dias atrás eu assisti a alguns episódios do Monty Python Flying Circus com uns amigos e me dei conta que uma piada parecida com a do Jugemu (veja abaixo) foi usada. Isso também não é uma grande surpresa, o tema parece fácil de aparecer em qualquer lugar... :) De qualquer forma, no sexto episódio do Flying Circus, é feita uma homenagem a um grande compositor, nunca citado entre outros grandes, cujo nome é:
Johann
Gambleputtydevonausfernschpledenschlittcrasscrenbonfriedigger-
dingledangledonglebursteinvonknackerthrasherapplebangerhorowitz-
ticolensicgranderknottyspelltinklegrandlichgrumblemeyerspelter-
wasserkurstlichhimbleeisenbahnwagengutenabendbitteeinnurnburger-
bratwurstlegerspurtenmitzweimacheluberhundsfutgumberaberschonend-
ankerkalbsfleischmittleraucher Von Hauptkopf of Ulm
Estava pensando aqui com meus botões e agora caiu a ficha de como o meu nível de transporte se mudou desde que eu vim para o Japão. Comparando as duas situações, temos:
Antes Veículo: Faustomóvel III Fabricante: FIAT (Palio 1.0)
Categoria do Veículo: Automóvel de passeio 5 portas
Motor: FIAT 40 HP (estipulação)
Capacidade de carga: mais de 800 quilos (cinco pessoas mais bagagem)
Velocidáde máxima atingida: 120Km/h (em Rodovia interestadual)
Máxima distância percorrida: 600 Km
Agora Veículo: Faustomóvel IV Fabricante: Zephyrus
Categoria do Veículo: Bicicleta dobrável
Motor: F1-PP (propulsão pedal) 0,2 HP
Capacidade de carga: aproximadamente 120 quilos (eu mesmo e um carona ou carga)
Velocidáde máxima atingida: 12Km/h
Máxima distância percorrida: 20 Km
Mas tem um acréscimo: Veículo: Faustomóvel IV-sub Fabricante: Reebok
Este final de semana foi bem aproveitado. No sábado, encontrei uma amiga que não via há alguns meses. Depois do almoço, a gente encontrou um amigo comum, que eu não via a mais de dois anos. Depois de atualizar o papo, a gente se separou (algumas horas depois) e eu resolvi botar o pé na estrada e voltar para casa, de bicicleta, como de costume. Desta vez tentei pegar um atalho e, como de costume, acabou que eu peguei um caminho totalmente errado e acabei dando uma volta enorme, mas tudo bem, cheguei em casa só duas horas mais tarde que o planejado...
No dia seguinte, acordei cedo para encontrar a professora Alice, que me ensinou tudo o que eu sei de japonês (além de sempre me ajudar bastante), aproveitando o ensejo de ela estar aqui no Japão. Junto comigo veio uma amiga,a a Chisa, que fez intercâmbio em Brasília em 2001-2002, além da mãe dela. A gente almoço junto e, depois que a mãe da Chisa voltou para casa, nós três ficamos conversando por um tempão no prédio da Fundação Japão, onde está a professora Alice.
Realmente foi um fim de semana bem aproveitado. :)
Um gênero da comédia japonesa que eu gosto muito é o rakugo, onde uma pessoa, em geral apenas com um leque, representa diálogos e situações diversas, de maneira muito divertida, é claro. De fato é bastante interessante. Uma das 'peças' (se é que se chama assim) se chama Jugemu
A idéia da peça é bastate simples: Um casal tem um filho e não sabe que nome dar para ele. A esposa sugere que o marido vá para o templo local falar com o monge.
Ele vai, apesar de meio contra a vontade. O monge sugere e explica vários nomes, todos de bom agouro. O marido volta para casa, com uma listinha dos nomes, providenciada pelo monge. A esposa resolve que, já que todos os nomes são bons, por que não colocar todos? :)
Disso, os pais começam a imaginar como seria o cotidiano com um nome assim:
(Para facilitar a visualização, vou colocar o nome apenas como Tarô, um nome comum japonês, para ter uma idéia das situações comuns)
- Tarô, o café está pronto!
- Tarô-kun, já está pronto para ir para a escola?
- Tarô, seus amigos já estão te esperando lá embaixo, se apressa!
- Tia, o Tarô me bateu!
- O quê!? Querido, o Tarô bateu num coleguinha. Fala com ele!
- Tarô, eu quero que você se comporte, se você brigar de novo, vai se ver comigo
... entre outras. Tá, é bastante comum, para o cotidiano de uma criança de qualquer lugar. Mas e se o nome do menino fosse o da peça, como segue abaixo:
(Isso é um nome só! Tente repetir isso três vezes sem respirar!hehe)
E o mais impressionante é que a pessoa que apresenta a peça de fato fala esse nome todas as vezes no lugar de 'Tarô'. A gravação que eu ouvi era de uma peça ao vivo e a platéia tinha ido ao delírio! :)
Hoje estava chovendo e mais uma vez eu tive de deixar a bicicleta em casa e ir de trem para a universidade... :(
No caminho entre a estação e a universidade, me deparei com uma cena interes-- peraí, acho que estou usando muito esse padrão. Tenho de variar um pouco...
- ......
(pausa para meditação)
- ......
- ......
- ......
Já sei!
No caminho até a universidade, resolvi gastar algum tempo (pois tinha uma pequena margem de folga), olhando uma coisa que eu normalmente ignoraria: perto do cruzamento uma grande loja de veículos (o que não faz muita diferença) estava na etapa final de construção, e havia um trator preparando o terreno para o estacionamento. Fiquei impressionado com a agilidade do... hmm... 'tratorista'(serve isso?) que operava a máquina como se fosse uma extensão do próprio corpo.
Por sinal, os tratores japoneses são ricos em diversidade e funcionalidade, havendo modelos de todos os tamanhos e para qualquer tipo de obra. Entre eles, destacam-se os mini-tratores (com pá escavadeira), um pouco maior que um carro comum, bastante úteis para obras em ruelas apertadas ou terrenos cercados por edifícios.
Voltando ao trator em questão, o sujeito operava o trator tão rápido que parecia que o braço da escavadeira tinha vida. Alías, 'braço' nesse caso é bastante apropriado, já que o operador usava não só como uma simples 'pá mecânica' gigante. Além de pegar terra e colocar no caminhão próximo, também aplainava a terra dentro do caminhão e ajudava um sujeito próximo a reposicionar o entulho que estava perto do monte de terra. E o outro cara nem parecia preocupado com a escavadeira que se mexia do lado dele, como se fosse mesmo um colega de trabalho do lado. Se isso é confiança ou desleixo, já não posso falar nada...
Em relação ao Brasil, o Japão é consideravelmente mais tranquilo, não havendo muito o que colocar nas notícias além de fofocas de celebridades, as relações exteriores do Japão com o resto do mundo e a vida da família imperial. Felizmente (ou não), há eventualmente alguma coisa absurdamente estranha, suficiente para render notícias para toda a semana.
Uma das notícias da semana é sobre o cantor iniciante (mas de carreira promissora, pelo que eu ouvi), Kubozuka, que caiu do terraço de um edifício de uma altura de mais de 26 metros de altura. Mas ainda há mais. O local da queda fica a nove metros de distância do prédio, o que descarta a possibilidade de acidente. Assassinato ou suicídio? Pergunte para o moço. Miraculosamente, ele sobreviveu à queda, porque foi aparado por uma cerca de arame próxima ao edifício. Isso é que é ter corpo fechado. Atualmente ele está hospitalizado, consciente e com várias fraturas (óbvio) e sua esposa está evitando qualquer contato com a imprensa...
Hoje eu aproveitei para descansar, então meu sábado começou bem tarde. Sem problemas. Liguei para minha mãe, para ter notícias. Hoje vai ter a festa de aniversário da minha mãe e da minha sobrinha. Por sinal,
Mãe, Manu, parabéns! Feliz aniversário!!!
Depois saí para encontrar uns amigos japoneses e, com eles, assistir a um show do que eu pensei que fosse Bumba-meu-boi, no bairro agitado de Shibuya. Saindo do dormitório, eu me deparei com uma coisa bastante incomum: dois patos lá, no meio da rua, sentados no chão sem fazer nada. Considerando que o rio mais próximo ficava a mais de um quilômetro de distância, não consigo imaginar o que eles estavam fazendo lá. Sessenta segundos de ponderação, e já tinha esquecido dos patos e rumei para meu destino.
Quando eu cheguei lá, descobri que na verdade o show era de um grupo de Manaus, além de outros grupos, incluíndo, é claro, alguns japoneses. Era até engraçado ouvir algumas músicas conhecidas cantadas em português com sotaque. Aqui em Tóquio há um grande grupo de brasilófilos (se é assim que se chama), e a platéia gostando do show era bem grande. FIquei impressionado em ver que tinha muita gente que conseguia dançar bem (considerando, é claro, que eu mal faço idéia do que seja dançar. Em termos de dança, pode-se dizer que eu tenho coluna de concreto e joelhos inflexíveis). Uma das coisas mais 'estranhas' foi ver um bando de japonesas dançando vestidas de índias...
Depois do show, o grupo se separou e eu rumei para casa. Encontrei com os brasileiros do dormitório, e outras pessoas. Depois de algum tempo de papo, voltei para o meu quarto e liguei a televisão. Entre os programas, um me chamou a atenção: o torneio de sumô em Pequim, realizado mais uma vez lá, após um intervalo 31 anos. Entre lutadores melhores colocados estavam Asa Shoryu, vencedor da temporada anterior e Takami Sakari, um dos favoritos no Japão. Este é bastante popular porque ele sempre demonstra bastante fibra (e kiai) antes de cada luta, fazendo gestos de força e batendo no próprio corpo. Infelizmente, ele não vence com muita freqüência. Mas se você pensar bem, isso está certo. O imporatante não é vencer, é tentar. E ninguém pode dizer que Takami Sakari perdeu por não tentar...
Achei uma coisa interessante neste site. Tem um monte de bobagens, mas duas valem a pena ver. Aqui vão elas:
Shinbashi! Esse é imperdível. Uma aula de japonês um pouco incomum...
Rangers Genéricos. Defenda a Terra (Tóquio?) com um guerreiro de Tokusatsu (tipo Changeman e Power Rangers) como outro qualquer. É um jogo legal, vale a pena tentar.
Quando estava voltando para casa, reparei na jaqueta de um cara de bicicleta passou por mim. Parecia uma daquelas jaquetas de time, com o nome da equipe formando um arco atrás dos ombros. Achei interessante o nome do "time": Bastards! Imagino o estilo de jogo de um time com um nome desses.
Nem tudo o que a gente faz é de propósito. Algumas coincidências têm efeitos fem interessantes. Estava passando por uma videolocadora e vi duas fotos de propaganda (daquelas que mostram algum personagem do filme em tamanho real) sobrepostas, formando um trio interessante: Freddy, Jason e a personagem principal de Kill Bill, segurando uma espada japonesa. Considerando o andar dos filmes, é só uma questão de tempo até que apareça algo como Jason vs Freddy vs Kill Bill (vs Harry Potter?)...